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Nostalgia

Lembro-me como se fosse ontem o dia em que adentrei o Gragoatá; a alegria que emanava de mim era como a de um pássaro a gorjear. Encantava-me a baía amada, enquanto caminhava contente naquele belo jardim. Ah, como era doce aquele tempo. Autor: Anderson Räder

Valsa do Dia

  A música desperta paisagens invisíveis — e às vezes, a poesia as revela em palavras. Inspirado na delicadeza de The Flower Duet de Delibes, este poema celebra a beleza do instante: o mar e o céu, o jardim e o crepúsculo, todos em dança silenciosa com a emoção que desperta um novo dia. Sol a beijar o azul do mar, ondas estourando, golfinhos festejando, bailado a encantar. Com rosa e jasmim, pássaros cantando, crianças brincando, alegria sem fim. a noite vem chegando, estrelas iluminando, a lua… jubileu. Rompe a escuridão. Num soneto de paixão, um novo dia: emoção. Num belo jardim, Na timidez do céu, Ao crepúsculo, imensidão,

Tormenta

  Em uma noite fugidia, Caminhava numa estrada sombria, Cultuando a agonia De um futuro que não conhecia. Parvo, amaldiçoava a vida. Duelava a verdade, Rejubilava, com ironia, a realidade. Até que um anjo bom, Que com amor me envolvia, No teu doce tom, Deste-me a alegria. A aflição que sentia, Na dor flamejante que vivia, Se dissipou, Amanhecendo um novo dia. Autor: Anderson Räder

O Estado Quebrou

  O Estado quebrou, O Estado quebrou, Dindin, por favor, Dindin, por favor. É... Os servidores ficaram doidos Sem dindin; E bateu o desespero, dos sem dinheiro, Isso é o fim. O governador, na cara dura, Não sabe o que fazer, Mas bancou obras inteiras, para empreiteiras, Isso pode valer. O Estado, desestruturado, Vive um pesadelo, Está à Bangu. Foi passando o dia, E eu, na agonia, A conta chegou. Perdi A minha casa, O meu carro, E minha mulher. Para piorar, Nem consigo troco pro metrô. O Estado quebrou, O Estado quebrou, Dindin, por favor, Dindin, por favor. Autor: Anderon Räder

Estrela Caída

  No campo risonho e verdejante, fulguras mais que a rosa exuberante, com o doce aroma que jamais senti. Estrela caída, iluminaste a minha vida, acabaste com a minha agonia, mostrando a estrada que não via. Anjo de luz, deste-me a caridade, dos teus lábios, felicidade, ao som da valsa que nos conduz. Autor: Anderson Räder

Ilusão

Oh! Maria das Dores, por que deixei-me seduzir nos seus ardores? Até quando viverei sem flores nesse mundo de pavores? Oh! Maria da Luz, por causa da ilusão caí em tentação, na dor me envolvi. Perdoai-me pelo vitupério que lancei, carrego a triste cruz que no charco me dei. Longe de ti, ando a chorar, por falta de estar com a estrela que perdi. Anjo da Luz, venha me salvar, para que juntos possamos caminhar na estrada que nos conduz. Autor: Anderson Räder

Menino de Rua

Eu, menino de rua, tenho o chão gélido como colchão, o papelão como cobertor, e a praça como abrigo. O lixo é o meu alimento, o que sobra da sua abundância é o meu banquete; quando não há sobras... Chamam-me de pivete, trombadinha; será que sou isso? Não sei dizer. Queria ser gente, poder ser visto sem medo; ter uma casa, uma família, ter um lar. Mas essa não é a minha realidade. Fui moldado pela dureza da rua, pela lei da sobrevivência. Aqui, a vida é uma batalha diária; luto contra os ratos para que não me devorem; luto para não ser molestado, pois há quem queira atear fogo em mim. Fui esquecido pela vida, abandonado por Deus. Onde Ele está? Por que fui desgraçado? Por quê? Por quê? Autor: Anderson Räder