Eu, menino de rua,
tenho o chão gélido como colchão,
o papelão como cobertor,
e a praça como abrigo.
O lixo é o meu alimento,
o que sobra da sua abundância
é o meu banquete;
quando não há sobras...
Chamam-me de pivete, trombadinha;
será que sou isso?
Não sei dizer.
Queria ser gente,
poder ser visto sem medo;
ter uma casa, uma família, ter um lar.
Mas essa não é a minha realidade.
Fui moldado pela dureza da rua,
pela lei da sobrevivência.
Aqui, a vida é uma batalha diária;
luto contra os ratos
para que não me devorem;
luto para não ser molestado,
pois há quem queira atear fogo em mim.
Fui esquecido pela vida,
abandonado por Deus.
Onde Ele está?
Por que fui desgraçado?
Por quê? Por quê?
Autor: Anderson Räder
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