Pular para o conteúdo principal

A Batalha Invisível: Vivendo com uma Doença Autoimune

 

A vida de quem tem doença autoimune é uma eterna e silenciosa luta; o seu corpo é o campo da mais violenta batalha. Não há como se defender. Os remédios são apenas um front que atrasa a evolução do inimigo. Às vezes o ataque torna-se visível — psoríase, lúpus e vitiligo — mas, na maioria das vezes, não é possível vê-lo. É uma ação impiedosa.
De herói a vilão, assim se comporta o sistema imunológico. Por se tratar de um erro genético, nada pode ser feito; apenas aguentar a diária tortura. As dores não têm fim.
Várias mudanças são provocadas, como depressão, síndrome metabólica, inflamação nas articulações, unhas quebradiças, pressão alta, irritação, cansaço, febre... Mas isso ainda não é o pior. O pior é a ignorância, que transcende aos leigos e contamina alguns médicos.
Já ressuscitei dos grotescos erros médicos umas quatro vezes; quantos medicamentos tomei que eram completamente equivocados!? Até o diagnóstico era errado, chegou ao ponto de achar que era fungo, mas não era; depois era uma alergia; e por fim, quando acertaram a doença, erraram a ação dela. Psoríase não é uma doença de pele de origem psicológica; é uma doença genética que também carcome a pele.
A intolerância não para por aí. Quem não tem doença autoimune não sabe o que é discriminação, não faz ideia do que seja isso. Não sou apenas taxado disso ou daquilo, sou visto com escárnio e maldizer. Quantas vezes, em um transporte lotado, o espaço ao meu redor ficou vazio; só não fui agredido fisicamente por medo do agressor de ser contaminado.
O pavor e pânico que as pessoas têm pela possibilidade de serem contaminadas por um vírus que provoca uma reação autoimune (Covid-19) é a minha realidade. Enquanto essas pessoas podem se proteger, eu não posso. Essa é a minha infeliz natureza.
Por isso, não julguem quem tem a doença; procurem saber o que se passa, pois quem a tem sabe que abriu uma caixa de Pandora.


Autor: Anderson Räder

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como viverei sem o seu amor?

Você é a paz que eu preciso  O  brilho nos teus olhos — meu abrigo Seu sorriso dá sentido à minha vida  Tua voz — alento da minha alma Teu calor me mantém forte  Quando estamos, somos luz e tempestade Nos teus braços, encontro razão pra existir Fica comigo — não se despeça Você é minha fortaleza,  O sol da manhã, a luz da aurora    Se o rio levar — sigo contigo Se o vento soprar — sigo em pé Pois no teu amor, sou inteiro Na tua presença — sou livre

Cântico do Amor

  Quando te vi, No céu a iluminar, No teu doce olhar, Amor, me envolvi. És o meu cântico, A minha felicidade, O meu coração Pertence a ti. Rosa milagrosa, Fulguras em tua alma, A esperança ardorosa Que espero em ti.

A vida e seus mistérios

Guarda segredos em seu silêncio, Tecidos em tramas que a mente não alcança. Mas não é assim tão difícil — Basta um sorriso simples, Uma caminhada sem pressa, O brilho suave do sol ao se pôr, E o perfume calmo dos jardins em flor. A felicidade não reside em grandes eventos, Mas na leveza que veste o cotidiano. Por isso, mergulhemos intensos no instante, Pois o tempo não se dobra ao nosso desejo, Nem os caprichos do futuro nos pertencem. O hoje é um chão firme, uma certeza; O amanhã, um sussurro de esperança e dúvida. Se deixarmos para depois, Talvez o momento se perca — E seja tarde demais para abraçar o agora.